Update your Cookie Settings to use this feature.
Click 'Allow All' or just activate the 'Targeting Cookies'
By continuing you accept Avaaz's Privacy Policy which explains how your data can be used and how it is secured.
Got it
We use cookies to analyse how visitors use this website and to help us provide you the best possible experience. View our Cookie Policy .
OK

1 em cada 4 brasileiros pode não se vacinar contra a COVID-19

IBOPE: Entre estes, 3 em cada 10 (ou 34%) declaram uma fake news como razão para não se vacinar, como “a vacina pode ter chips implantados para controle da população”,

De acordo com uma pesquisa IBOPE inédita, cerca de 41 milhões de pessoas no Brasil (ou 25%), pode não se vacinar contra a COVID-19 -- 20% dizem que talvez não se vacinem e 5% dizem que “não vão tomar a vacina de jeito nenhum”. Dentre os que não tem certeza ou dizem que não vão tomar a vacina contra a COVID-19, cerca de 34% declara pelo menos um motivo relacionado à desinformação. Trata-se de 14 milhões de pessoas.

Os números mostram que a desinformação poderia prejudicar os gigantescos esforços de governos e cientistas para combater o vírus. Os entrevistados também apontaram a(s) razão(ões) que melhor explica(m) porque não tomariam a vacina, revelando que:
  • 7,8 milhões de brasileiros podem não se vacinar por acreditar que a vacina da COVID-19 contém chips implantados para controle populacional;
  • 8,2 milhões podem não se vacinar por acreditar que o Bill Gates teria dito que a vacina pode matar cerca de 700 mil pessoas;
  • 5,7 milhões de pessoas podem não se vacinar por acreditar que a vacina poderia alterar o DNA; e
  • 4,9 milhões podem não se vacinar por acreditar que as vacinas são produzidas a partir de células de fetos abortados.

A mesma pesquisa mostra que as redes sociais são a segunda fonte de informação mais relevante sobre a vacina contra a COVID-19 para os brasileiros (39%), após a televisão (72%).

Laura Moraes, Coordenadora de Campanhas da Avaaz, diz: "Os brasileiros estão cansados das fake news e querem ação - e rápido. A maioria de nós quer ser capaz de formar nossas próprias opiniões baseados em fatos, não em mentiras que nos são bombardeadas através de um algoritmo. Neste momento, é isso que está faltando no Projeto de Lei das Fake News. Para que ele seja realmente efetivo, nossos políticos devem agir proativamente e obrigar as empresas de redes sociais a garantir que os fatos cheguem a todos impactados por essas histórias falsas nocivas."

Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP, afirma: "A pesquisa mostra um forte consenso a favor de uma legislação para enfrentar as notícias falsas. Mostra também que a difusão de desinformação sobre vacina contra a Covid pode comprometer uma saída segura da quarentena. Se tivermos uma vacina de eficácia moderada e um quarto dos brasileiros se recusar a se vacinar, talvez não consigamos atingir a imunidade de rebanho."

A Avaaz recomenda aos legisladores que discutem o Projeto de Lei 2.620/2020 que incluam, de forma proativa, uma obrigação de que as redes sociais distribuam informações científicas, técnicas e factuais para os usuários que tenham lido, recebido ou tenham sido expostos a qualquer tipo de desinformação, como as apresentadas por este estudo. Esta proposta pode ajudar a mitigar os efeitos da desinformação sem remoção de conteúdo ou violação de privacidade, protegendo assim a liberdade de expressão. Uma pesquisa anterior da Avaaz mostra que a crença de um usuário em conteúdo desinformativo pode ser reduzida, em média, em 50% quando ele é exposto aos fatos.

As descobertas da pesquisa Ibope parecem complementar um estudo recente da USP que descobriu uma tendência de aumento de 383% na produção de conteúdo com fake news sobre a vacina contra a COVID-19 nos dois maiores grupos antivacina do Brasil nos últimos 3 meses.

No mês passado, a Avaaz publicou um estudo similar chamado “Algoritmo do Facebook: uma grave ameaça à saúde pública” que chegou a conclusões similares, porém a nível mundial. O estudo revelou redes de desinformação internacionais sobre saúde que alcançaram 3,8 bilhões de visualizações no ano passado. O mais preocupante deste estudo é a descoberta que o conteúdo dos 10 principais websites compartilhando desinformação sobre a saúde alcançou, no mesmo período, quase 4 vezes mais visualizações estimadas no Facebook do que os posts vinculados a websites das 10 principais organizações de saúde, como a OMS ou o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Agora, esta pesquisa do Ibope mostra que alguns dos rumores não só chegaram no Brasil, mas também convenceram milhões de pessoas -- e ameaçam mantê-las longe dos postos de vacinação.

Os resultados completos da pesquisa e sua metodologia podem ser consultados aqui. A tabela de dados do Ibope está aqui.

A Avaaz é um movimento global democrático, com mais de 60 milhões de membros em todo o mundo. Todos os recursos que financiam a organização são provenientes de pequenas doações individuais. Esse estudo faz parte de uma campanha contínua da Avaaz para proteger a sociedade dos perigos da desinformação e defender a liberdade de expressão nas redes sociais. As campanhas em defesa da internet e as investigações da Avaaz incluem:
  • Em parceria com a USP e o Instituto Questão Ciência, medimos o impacto da desinformação sobre COVID-19 e saúde no Brasil e no mundo, desmascarando redes de desinformação que somavam 3,8 bilhões de visualizações estimadas e ameaçaram a confiança da população na vacina contra o coronavírus;
  • Estudo mostrando que milhões de pessoas foram expostas à desinformação sobre o coronavírus, o que levou o Facebook a alertar usuários que interagiram com fake news sobre a COVID-19 no início deste ano;
  • Relatório expondo que o YouTube estava transmitindo desinformação sobre o clima para milhões de usuários em janeiro deste ano;
  • Revelamos que as notícias políticas falsas no Facebook na corrida eleitoral de 2020 nos Estados Unidos já ultrapassam mais de 150 milhões de visualizações;
  • Desmascaramos redes brasileiras de distribuição da desinformação sobre vacinas para obtenção de lucro com venda de curas "alternativas" em 2019;
  • Publicamos um estudo sobre grandes redes de desinformação com mais de meio bilhão de visualizações antes das eleições da União Europeia, em 2019;
  • Colaboramos para garantir que meio bilhão de cidadãos europeus terão acesso a uma internet aberta e democrática garantida por lei;
  • Expusemos uma enorme rede de desinformação durante as eleições no Brasil em 2018;
  • Apoiamos a aprovação do Marco Civil da Internet em 2014, garantindo a neutralidade da rede para todos os cidadãos brasileiros;
Mais informações: Nana Queiroz, coordenadora de mídias da Avaaz, (11) 95865-7515, nana@avaaz.org e Luciana Weyne, consultora de mídia, +1 (571) 621-2896 (WhatsApp), luciana@brazil.avaaz.org.