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Das lideranças amazônicas às lideranças mundiais: estamos prontos para curar a Amazônia, o primeiro passo para salvar a Terra

 

***Lideranças indígenas das confederações da Bacia Amazônica se reúnem em Bogotá e fazem um apelo pela consolidação do maior corredor ambiental e cultural do planeta, unindo as áreas protegidas e os territórios indígenas, recuperando áreas degradadas e promovendo o uso sustentável da floresta***

BOGOTÁ, Colômbia (16 de agosto de 2018). Às vésperas da conferência sobre biodiversidade das Nações Unidas, líderes e autoridades indígenas de todas as confederações da Amazônia fazem um apelo a todos os líderes do mundo para salvar metade do planeta, e promover um diálogo construtivo com os governos da Amazônia para evitar a crise fatal da maior floresta do mundo. Este apelo surge depois de uma reunião de cúpula de quatro dias de duração, na qual se discutiram alternativas baseadas em conhecimento ancestral para conectar os territórios indígenas e preservar cerca de 200 milhões de hectares ligando a faixa que vai dos Andes, passando pelo Amazonas e indo até o Atlântico.

Ao final do encontro, as organizações indígenas emitiram uma declaração por meio da qual convidam os governos e outros organismos a “unir esforços para a construção de estratégias de visibilidade e reconhecimento da importância deste corredor como primeiro passo para garantir a existência de todas as formas de vida no planeta” e a "formar alianças e compromissos para promover, proteger e tornar visível o Corredor Andes, Amazonas, Atlântico, sua biodiversidade, suas culturas e a sacralidade do território”(1).

Esta reunião amazônica foi realizada durante esta semana em Bogotá, começando na terça-feira e terminando hoje com uma apresentação formal perante representantes de governos, agências de cooperação e organizações da sociedade civil. O encontro foi liderado pelos indígenas,  financiado com o apoio de membros da Avaaz de todo o mundo e contou com o apoio técnico da Fundação Gaia Amazonas.

Líderes indígenas da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela (2) articularam uma visão que poderia salvaguardar grande parte da Floresta Amazônica através da perspectiva indígena e holística. A área incluída nesta visão de interconexão é do tamanho do México. No total, essa delegação representa mais de 400 nações.

Tuntiak Katan, Vice-presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), presente no encontro, declarou:

"Para nós as bacias amazônicas são sagradas. Alguns dizem que é o pulmão do mundo, para nós é o coração, e justamente neste coração é onde há uma enorme concentração de biodiversidade e culturas e onde também se desenvolvem atividades industriais extrativistas".

Harol Rincon Ipuchima, secretário geral da organização amazônica OPIAC, anfitrião e co-organizador do encontro em conjunto com a Avaaz, disse:

"Como líderes indígenas, estamos dispostos a compartilhar nosso conhecimento e sabedoria com qualquer governo que esteja genuinamente disposto a ouvir. Nesta semana, acabamos de articular uma visão para curar a Amazônia, uma idéia que beneficiará a todos. Nós podemos mostrar como concretizar essa visão. Os líderes mundiais precisam saber que não podemos mais esperar: se quisermos sobreviver, teremos que proteger pelo menos metade da Terra, e este é o primeiro passo”.

Oscar Soria, representante da Avaaz na reunião dos líderes da Amazônia, disse:

"A Avaaz comemora e apoia este enorme passo dado pelas liderança indígenas. O corredor da Amazônia é o primeiro passo para salvar metade do planeta. Os povos indígenas são proprietários de 23% do território do planeta e todas as evidências confirmam que eles são os melhores guardiões do planeta. O objetivo de proteger 50% do mundo é viável enquanto os líderes e os povos indígenas estiverem no centro e à frente dos esforços para curar nosso planeta. Eles devem nos indicar o caminho".

De 17 a 29 de novembro deste ano, as Nações Unidas vão convocar líderes governamentais de mais de 190 países para potencializar seus esforços para reduzir a perda de biodiversidade e proteger os ecossistemas que garantem água, saúde e segurança alimentar de bilhões de pessoas. A Conferência de Biodiversidade da ONU (COP14, que reúne as partes da Convenção sobre Diversidade Biológica) será realizada no Egito. Os líderes indígenas da Amazônia planejam participar desta cúpula para mostrar ao mundo exemplos concretos e bem-sucedidos de gestão sustentável de recursos e restauração de ecossistemas, como é o caso dessa visão do corredor amazônico.

A Avaaz está promovendo uma série de conversas para unir vários atores que apóiam a meta global de proteger e restaurar metade do planeta até 2050. Isso garantiria a restituição dos habitats naturais e nos deixaria com uma base mínima de ecossistemas protegidos para evitar uma crise causada pelas mudanças climáticas e perda de biodiversidade. Proteger metade da Terra não é uma ideia nova. Cientistas importantes e especialistas em conservação concordaram com a necessidade de proteger 50% e garantir a gestão sustentável dos outros 50%. Pesquisadores descobriram que, se protegermos 50% do planeta da exploração humana (de diferentes atividades extrativistas, como mineração, indústria madeireira, ou o desmatamento para dar lugar à monocultura, e a exploração de petróleo), os ecossistemas da Terra poderiam se estabilizar e regenerar. Assim, a vida poderia se recuperar. FIM

Para informações adicionais: media@avaaz.org

Notas para o editor:

(1) A declaração completa dos líderes indígenas pode ser lida aqui.

(2) Os representantes indígenas que participam deste encontro representam a maioria das organizações dos povos indígenas da Amazônia, organizadas sob a COICA

(Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica) e organizações nacionais: ORPIA (Organização Regional dos Povos Indígenas do Amazonas - Venezuela), APA (Associação de Povos Ameríndios da Guiana), FOAG (Federação das Organizações Indígenas das Guianas), OIS (Organização dos Povos indígenas no Suriname), COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), CIDOB (Confederação dos Povos Indígenas da Bolívia), AIDESEP (Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Selva Peruana) e CONFENIAE (Confederação das Nacionalidades Indígenas da Amazônia Equatoriana) e OPIAC (Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana).

(3) Informações sobre as organizações nacionais que são membros da confederação de organizações da COICA:

Brasil COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira): reúne 75 organizações de todos os estados da Amazônia brasileira (Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) que representam 160 nações indígenas com cerca de 430.000 pessoas (o que corresponde a quase 60% da população indígena brasileira) habitando em mais de 110 milhões de hectares do território amazônico.

Peru AIDESEP (Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Selva Peruana): é a confederação que reúne mais de 65 federações, representando mais de 1.800 comunidades onde moram mais de 650.000 indígenas as quais abrigam 16 famílias lingüísticas.

Bolivia CIDOB (Confederação dos Povos Indígenas da Bolívia): fundada em Santa Cruz de la Sierra com a participação de representantes das quatro principais nações indígenas do leste da Bolívia (Guaraní-izoceños, Chiquitanos, Ayoreos e Guarayos). Posteriormente, foram incluídos outros povos indígenas para reunir 34 nacionalidades e povos indígenas que vivem no Oriente, Chaco e Amazônia, localizados em sete dos nove departamentos do país: Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija, Chuquisaca, Cochabamba e La Paz.

Colômbia: OPIAC (Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana): inclui 22 federações representando 56 nações em 162 reservas indígenas que ocupam uma área de mais de 24 milhões de hectares.

Equador CONFENIAE (Confederação das Nacionalidades Indígenas da Amazônia Equatoriana): representa cerca de 1.5000 comunidades das seguintes nações indígenas: Kichwa, Shuar, Achuar, Waorani, Sapara, Andwa, Shiwiar, Cofan, Siona, Secoya e Quijos.

Venezuela ORPIA (Organização Regional dos Povos Indígenas do Amazonas): reúne 19 organizações representando 19 povos indígenas.

Guyana: APA Associação de Povos Ameríndios da Guiana: com sede em Georgetown, inclui 5 organizações que incluem 70.000 índios em 10 departamentos e representam os seguintes nove povos indígenas: Lokono Arawak, Akawaio, Arecuna, Carinya (Carib), Makushi, Patamona, Wai Wai, Wapishana e Warrau.

Guiana Francesa FOAG (Federação das Organizações Indígenas das Guianas): inclui povos indígenas que representam cerca de 20 entidades indígenas.

Suriname OIS (Organização dos Povos Indígenas no Suriname): composta por nove povos indígenas representando cerca de 40.000 indígenas em 10 departamentos e 55 assentamentos. Eles participaram da criação do recente Corredor de Conservação do Sul do Suriname, com uma extensão de 7,2 milhões de hectares, o que representa 40% do território nacional.

Aqui estão algumas citações dos líderes indígenas que participaram deste encontro internacional:

Angela Kaxuyana (ou Isaias Pereira Fontes-Baniwa) da COIAB, Brasil: "Não estamos discutindo a criação de um corredor, estamos discutindo" O RECONHECIMENTO" de um corredor que já existe, e que os Estados decidiram dividir com fronteiras".

Guillermo Arana, da ORPIA, Venezuela: "Esta iniciativa é uma obrigação moral de unir esforços além dos egos e lutas individuais por direitos indígenas ou ambientais. É uma iniciativa para salvar o que resta da vida no planeta".

Michael John McGarrell, da APA, Guiana: "Como povos indígenas, estamos demonstrando aos líderes mundiais que certas iniciativas podem não apenas melhorar a vida de nosso povo, mas também mitigar as mudanças climáticas. Isso não apenas beneficia os países individualmente, mas pode beneficiar o mundo como um todo".

Wilma Mendoza Miro da CIDOB, Bolívia: "Esta iniciativa é importante, nós indígenas compartilhamos o mesmo pensamento sobre a proteção da biodiversidade. Hoje temos muitos desafios, mas a visão compartilhada deste corredor nos une e nos dá esperança".

Marcos Domingo Tanguila Alvarado, representante da nação Quijos por meio da CONFENIAE, Equador: "Esperamos que a decisão tomada em conjunto por essas forças seja uma ferramenta para buscar um processo estratégico de desenvolvimento para um futuro como um corredor de nova vida".

Harol Rincon Ipuchima, da OPIAC, Colômbia: "A partir do nosso conhecimento, que está enraizado na úmida selva tropical, nós cuidamos do mundo. O papel dos povos indígenas nesta iniciativa é fundamental. É o pilar que sustenta essa iniciativa. Está mais do que comprovado que o conhecimento tradicional, por meio de muita experiência, permitiu que a Amazônia permanecesse viva (...) Como líderes indígenas, estamos dispostos a compartilhar nosso conhecimento e sabedoria com qualquer governo que esteja genuinamente disposto a ouvir. Nesta semana, acabamos de articular uma visão para curar a Amazônia, uma idéia que beneficiará a todos. Nós podemos mostrar como concretizar essa visão. Os líderes mundiais precisam saber que não podemos mais esperar: se quisermos sobreviver, teremos que proteger pelo menos metade da Terra, e este é o primeiro passo ”.

Tuntiak Katan, da COICA: "Para nós as bacias amazônicas são sagradas. Alguns dizem que é o pulmão do mundo, para nós é o coração, e justamente neste coração é onde há uma enorme concentração de biodiversidade e culturas e onde também se desenvolvem atividades industriais extrativistas".

Adolfo Chávez, líder indígena da CIDOB Bolívia: "Esta é a resposta que os povos indígenas estão dando à humanidade". (referindo-se ao corredor)

Jorge Pérez, da AIDESEP, Peru: "Neste enorme corredor você pode ver a imagem das aldeias refletidas no rio, este corredor AAA traz essa perspectiva. Ele ajudará a unir esforços para a defesa dos direitos e a conservação de nosso território para proteger nossa cultura e lidar com o aquecimento global".