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Pela Cinemateca Brasileira

Pela Cinemateca Brasileira
  
  

 


Por que isto é importante

É preocupante a situação na Cinemateca Brasileira. Devido à interrupção abrupta de recursos, a instituição foi obrigada a demitir quase metade dos funcionários e interromper vários projetos. Entre os profissionais demitidos, há pessoas com mais de 20 anos de experiência e formação, portadores de um conhecimento que jamais poderá ser reposto.

Este manifesto expressa essa preocupação e pede à Ministra Marta Suplicy que, independentemente de qualquer mudança que se faça na instituição, dê continuidade aos programas que estavam em andamento, para que não haja uma perda irreversível.

A Cinemateca tem um nível de excelência técnica que a coloca entre as melhores existentes, os mais importantes filmes e documentos audiovisuais brasileiros estão ali depositados. É fundamental preservar a qualidade e continuidade do trabalho que vem sendo feito.

Leia - abaixo das assinaturas - texto de Lygia Fagundes Telles sobre o início da Cinemateca e Paulo Emílio.

View the petition in English at the bottom (o manifesto em inglês ao final).


já assinaram o Manifesto:

Antonio Candido - Lygia Fagundes Telles - Affonso Beato - Ana Lúcia Torre - Arrigo Barnabé - Amir Labaki - Anibal Massaini - Benjamim Taubkin - Betty Faria Bob Stam - Bráulio Mantovani - Bruno Barreto - Cacá Rosset - Daniel Galera - Daniel Filho - Eduardo Escorel - Fernanda Torres - Fernando Moraes - Francisco Ramalho Jr. - Hector Babenco - Jean-Claude Bernardet - João Moreira Salles - Jorge Bodansky - Jorge da Cunha Lima - Jorge Furtado - Jorge Peregrino - José de Abreu - José Roberto Aguillar - José Roberto Torero - Lauro Escorel - Lilia Moritz Schwarcz - Luiz Carlos Barreto - Luiz Schwarcz - Mariza Leão - Maureen Bissiliat - Maurício Faria - Moacir Amâncio - Moacyr Goes - Odilon Wagner - Paula Gaitan - Paulo Tatit - Pedro Farkas - Roberto Schwarz - Sara Silveira - Sergio Muniz - Sergio Rezende - Sergio Santeiro - Suzana Amaral - Walter Lima Jr - Walter Salles - Yael Steiner - Zulmira Ribeiro Tavares.


e através da lista do Fórum Nacional de Cineastas:

Alain Fresnot - Ana Maria Magalhães - André Klotzel - André Sturm - Aurélio Michiles - Beto Brant - Cao Hamburger - Carlos Riccelli - Claudio Kahns - Daniel Santiago - David Kullok - David Schurmann - Dodô Brandão - Eliana Fonseca - Eunice Gutman - Evaldo Mocarzel - Fernando Meirelles - Guilherme de A. Prado Gustavo Rosa de Moura - Gustavo Steinberg - Helena Solberg - Ícaro Martins - Isa Albuquerque - João Daniel Tikhomiroff - João Jardim - Jorge Alfredo - Jorge Duran - José Carone Júnior - José Joffily - Kiko Goifman - Lucia Murat - Luiz Carlos Lacerda - Luiz Dantas - Luiz Villaça - Mallu Moraes - Marcelo Machado - Marina Person - Matias Mariani - Maurice Capovilla - Mauro Baptista Vedia - Mauro Farias - Miguel Faria Jr. - Mirela Martinelli - Murilo Salles - Omar Fernandes Aly - Oswaldo Caldeira - Paulo Morelli - Philippe Barcinsky - Renato Ciasca - Ricardo Dias - Ricardo Pinto e Silva - Ricardo Van Steen - Roberto Gervitz - Rodolfo Nanni - Rossana Foglia - Rubens Rewald - Sergio Bloch - Sergio Bianchi - Sergio Roizenblit - Silvio Da-Rin - Sylvio Back - Tadeu Jungle - Tata Amaral - Tereza Trautman - Tete Moraes - Tizuka Yamasaki - Vera de Figueiredo, Zita Carvalhosa.


E também:

Adrian Cooper, Adriana Rouanet, Aída Marques, Alba Liberato, Alberto Baumstein, Alberto Flaksman, Alex Magalhães Vieira, Alex Solnik, Alexandre Elauiy, Ana Luíza Azevedo, Anderson Craveiro, André Carvalheira, Andrea Tonacci, Antonio Urano, Augusto Cezar, Atalia Haim, Bernardo Ferreira, Beth Sá Freire, Betse de Paula, Bettina Turner, Bruno Barrenha, Carlos Nascimbeni, Cássio Starling, Celina Becker, Cesar Charlone, Cezar Moraes, Chantal Marmor, Chica Mendonça, Chico Guariba, Chico Liberato, Christain Lessage, Christian Petermann, Claudio Leone, Cosmo Roncon, Cristhine Lucena, Di Moretti, Diogo Costa, Eduardo dos Santos Mendes, Elisandro Dalcin, Fernanda Luz, Fernando Duarte, Fernando Fonini, Francisco Costa Júnior, Geraldo Ribeiro, Guido Araújo, Helvécio Ratton, Humberto Silva, Idê Lacreta, Isa Ferraz, Ivan Hlebarov, Ivonete Pinto, Jailson Almeida, Jaime Prades, João Horta, João Paulo Maria, João Vargas, Joaquim Vaz de Carvalho, José Geraldo Couto, José Luiz Sasso, Juliana Motta, Júlio Wainer, Kiko Mollica, Leo Edde, Leonardo Crescente, Liloye Brigitte Boubli, Lito Mendes da Rocha, Louis Robin, Lucas Bettine, Lucila Avelar, Lúcio Kodato, Lúcio Vilar, Luiz Adelmo Manzano, Luiz Fernando Noel, Luiz Leitão de Carvalho, Marcela Lordy, Marcello Bartz, Marcelo Marques, Marcelo Masagão, Marco Dutra, Marcos Botelho Jr., Marcos Santilli, Maria Cristina Amaral, Maria Emília Bender, Maria Elisa Freire, Marilia Alvarez Melo, Marilia Santos, Mario Masetti, Matheus Parizi Carvalho, Natalia Piserni, Ninho Moraes, Nuno Cesar Abreu, Patrícia Guimarães, Patrick Tristão Ludgero, Paula Barrreto, Paulo Castilho, Paulo Klein, Paulo Rufino, Paulo Zero, Pedro Vieira, Pedro Gabriel Amadeu, Pedro Lacerda, Pedro Olivotto, Pedro Pablo Lazzarini, Rita Maria Terra, Roberto Faissal Jr., Sergio Trabucco Ponce, Suzana Amado, Suzana Villas-Boas, Tico Utiyama, Umbelimo Brasil, Vânia Debs, Vânia Perazzo Barbosa, Vera Hamburger, Vera Arruda Esteves, Vincent Carelli.



CINEMATECA BRASILEIRA

Lygia Fagundes Telles

Paulo Emilio Salles Gomes, um jovem e importante intelectual paulista, comunista e ateu, fugindo da prisão que o ameaçava o presidente e ditador Getulio Vargas, viajou para Paris onde morou alguns anos.

Apaixonado por cinema, lá trabalhou um longo tempo na Cinemateca Francesa e aprendeu tudo o que queria saber sobre o cinema e seus mistérios mais profundos. Aprendeu assim como funciona um museu vivo de cinema no primeiro mundo. Correspondeu-se então com os seus amigos, os intelectuais brasileiros Francisco de Almeida Salles, Alex Viany, Antonio Candido, Thomaz Farkas, Gustavo Dahl e com o jovem Rudá de Andrade, sim, comunicou-se com todos no sentido de fazer também no Brasil uma instituição nos mesmos moldes franceses, ou seja, um museu vivo para a defesa do cinema internacional e principalmente, do cinema brasileiro. Defendia com maior empenho o cinema do Brasil porque preferia um medíocre filme brasileiro a um brilhante filme estrangeiro.


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Conheci a Cinemateca Brasileira quando era ainda uma humilde casa no nosso Parque Ibirapuera, sim, uma modestíssima casa com dois ou três cômodos e mais o banheiro. Lá já estavam o Paulo Emilio, Rudá de Andrade e o caseiro. Eu me lembro bem, na porta da casa havia um cachorro sem raça a se coçar mas vigilante. Fiquei tão abatida e conversei com Paulo Emilio, meu Deus! tudo tão pobre e esses modestos rolos de filmes nas latas e os cartazes lá nas frágeis prateleiras... O Paulo Emilio concordou: não temos dinheiro nem para coar um café! Mas vamos lutar, vai ser uma luta longa e dura mas o nosso pequeno grupo não vai desistir; temos vocação e vocação é paixão. Estamos apaixonados, sim, mas precisamos urgentemente de dinheiro e esse só o governo pode nos dar. Você conhece o nosso governador Jânio Quadros? Contei-lhe então que tínhamos estudado na mesma Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, ele tinha se diplomado antes e esse era o único laço que mantinha com o nosso governador. Paulo Emilio ficou pensativo: você vai visitá-lo, ofereça a ele um de seus livros, fale da nossa cinemateca de modelo francês e peça algum dinheiro que nos ajude a sair dessa situação.

Lá fui com o meu livro e com a minha esperança. O governador me recebeu e contei-lhe então a situação daquela que seria mais tarde a bela Cinemateca Brasileira: não tínhamos dinheiro nem sequer para coar café! Ele chamou seu secretário, sim, claro que ia colaborar, decidiu bem humorado. Pediu a esse secretário que providenciasse um cheque de vinte e cinco mil cruzeiros para auxiliar esse futuro museu. Chamou o bedel: sirva aqui para a doutora um café, porque onde ela trabalha não há dinheiro nem para esse cafezinho...


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Lembranças antigas. Mas foi esse o duro e desesperado começo dessa casa que depois de uma luta tão heróica, foi subindo, crescendo, até chegar ao belíssimo estado atual.


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Vieram os Conselheiros. Os amigos. Aprendi que o filme, assim como um ser vivo, precisa de um clima especial para não perecer e assim lá nessa nossa bela Cinemateca Brasileira estão guardados e preservados rolos e rolos de grandes filmes nacionais e estrangeiros. Livros. Cartazes de filmes.. Cartas.

Quando temos as reuniões mensais do Conselho, gosto de ver os bravos bombeiros fardados fiscalizando o prédio e o vasto jardim.

Toda a vida e obra de Paulo Emilio e de outros dos nossos maiores cineastas e críticos estão naquelas latas.

Hoje, depois de tanta luta, aí está essa bela Cinemateca Brasileira! Vamos lutar, sim, para que mesmo após a morte dos seus bravos fundadores, ela prossiga viva, cumprindo o seu glorioso destino: o de ser o único museu vivo de Cinema Nacional.


Fevereiro de 2013


Petition for the Brasilian Cinematheque

The Cinemateca Brasileira, founded more than 60 years ago by intellectuals and film lovers, was transferred to the control of the Brazilian Government in 1984. Since then it has developed its institutional mission of preserving audiovisual memory on a regular basis, having reached a level of excellence recognized both nationally and internationally.

Throughout the years, the Cinemateca's often precarious institutional budget was supplemented by the crucial support of a private organization, the Society of Friends of the Cinemateca (SAC – Sociedade Amigos da Cinemateca), founded in 1962. This established a public-private partnershipthat became one of the hallmarks of the organization's success.

During the past few months, the Cinemateca has been facing government-mandated financial cutbacks that have put its institutional mission at risk. This, coupled with the government's interruption of projects supported by the SAC led to the dismissal of more than 50 employees, some of them senior members of the Cinemateca staff. Their expertise, vital for the institution, should not be discarded and may never be restored.

In view of the urgency of the situation, we appeal to the Brazilian Minister of Culture, Marta Suplicy, to quickly end the intervention of the Audiovisual Secretary in the Cinemateca Brasileira and reestablish its understanding with the SAC so that the organization can immediately restore its workforce, resume its activities, and serve its mission to preserve the integrity of the Brazilian audiovisual memory.

April, 2013.


Postado abril 20, 2013
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